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Empresas encomendam cursos sob medida
Fonte: Jornal O Globo
Fabiana Ribeiro

As instituições de ensino estão levando ao pé-da-letra a máxima de que o cliente sempre sabe o quer. Virou moda entre as empresas encomendar cursos de pós-graduação sob medida. São os chamados MBAs in Company que, além de saírem mais baratos para as companhias, trazem conteúdos adaptados às suas necessidades.

As instituições de ensino estão levando ao pé-da-letra a máxima de que o cliente sempre sabe o quer. Virou moda entre as empresas encomendar cursos de pós-graduação sob medida. São os chamados MBAs in Company que, além de saírem mais baratos para as companhias, trazem conteúdos adaptados às suas necessidades.

A Telemar, por exemplo, já ofereceu este tipo de MBA a 200 funcionários, em parceria com o Ibmec Business School, o Instituto de Pós-Graduação em Administração da UFRJ (Coppead/UFRJ) e a Universidade de São Paulo (USP). Batizado de Master in Telemar Administration, o curso acontece dentro de sua universidade e ainda em hotéis e escolas.

A Andrade Gutierrez, por sua vez, investiu R$ 3 milhões para que 60% de seu quadro gerencial cursassem um MBA especialmente formatado pela USP e pela Fundação Dom Cabral.

Para ensinar, os professores analisam toda a companhia

— A grande vantagem desse tipo de curso é que seus programas analisam todas as áreas de uma companhia e os trabalhos e monografias acabam se tornando verdadeiros projetos para ela — explica Marcus Vinícius Rodrigues, professor da Escola de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (Ebape/FGV).

Segundo Luiz Osório, coordenador acadêmico do Ibmec, para estruturar o conteúdo desses MBAs, os professores precisam entender como funciona a organização:

— E a partir daí provocam discussões e estratégias para a empresa. Tudo isso com mais profundidade do que haveria num MBA tradicional.

E, continua Osório, como todos fazem parte da empresa, os alunos trocam idéias sobre o mesmo tema. Com isso, enfatiza, muitos projetos estratégicos saem da sala de aula:

— As pessoas simplesmente falam a mesma língua.

Outra vantagem do MBA in Company, acentua a professora Denise Fleck, do Coppead/UFRJ, é que ele ajuda a integrar os colegas:

— Nas turmas corporativas, as pessoas discutem estratégias para a empresa e acabam se conhecendo mais.

Empresas devem atuar em áreas com pequena oferta

Para Jorge Luiz Pereira Borges, coordenador interno da Universidade Petrobras, o MBA in Company é válido principalmente quando existem poucos cursos em uma determinada área:

— Marketing e finanças não precisam ser oferecidos pela empresa. Já um MBA para gerenciamento de exploração e produção de petróleo, sim.

A regra vale também para o Grupo Nova América (produtor de álcool e açúcar) que chamou a USP para formatar seu MBA de Gestão de Negócios em Agribusiness:

— Precisávamos formar pessoal especializado numa área que tinha poucos cursos — disse Mário Íbide, diretor de Recursos Humanos.

E investir num curso in Company não significa deixar de patrocinar outros. A Telefônica Celular fechou parceria com o Ibmec — que está ministrando um MBA de telecomunicações na empresa — e não deixará de pagar cursos de outras áreas:

— É claro que os MBAs nas áreas de marketing e finanças, por exemplo, são importantes. E, por isso mesmo, continuarão tendo atenção da companhia — diz Andrea Guerra, gerente de desenvolvimento de projetos de RH da empresa.

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