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Advogados em cena
Fonte: Jornal O Globo

Os advogados estão meio que se rendendo aos holofotes da televisão. Quer dizer, procuram os cursos de interpretação para tevê, mas sem qualquer pretensão de atuar na mídia. A razão é simples: as aulas ajudam o profissional a ter tranqüilidade para se expor em público, a controlar as emoções e a improvisar. Sonaira D’Ávila, diretora do Studio Escola de Atores, explica que, no curso, os alunos fazem o levantamento de suas dificuldades de comunicação por meio de dinâmicas, interpretações cênicas e exercícios corporais, de voz e de improvisação. — Como as aulas são gravadas, todos conseguem ver e corrigir suas falhas. Seja na voz, na postura ou na gesticulação. E, aos poucos, os profissionais tendem a perder a timidez — diz Sonaira, acrescentando que 40% dos seus alunos são da área de direito. Milena Vieira acompanha esta tendência. Atuando na área criminal, a advogada conta que o curso ensina o profissional a controlar emoções, quando exposto a situações mais tensas: — As técnicas são importante para não se entrar em pânico, saber o que dizer e improvisar — diz a advogada, que também faz cursos de teatro. O que se percebe, diz Sonaira, é que os advogados dominam o conhecimento, mas, muitas vezes, não conseguem se relacionar com o outro. E este outro, frisa, pode ser um cliente, um juiz ou os jurados. Daí, continua, o curso trabalha a chamada inteligência sensorial: — Só conhecimento não vale. O advogado precisa saber argumentar ou ouvir, tendo total controle das emoções — diz Sonaira, que já está formando uma turma apenas com advogados. Para o advogado Allan Magalhães, o curso ajuda a dar segurança e ensina técnicas de convencimento. Por isso, usará o que aprendeu no curso em provas orais de concursos públicos. — O advogado é um ator que não precisa só de oratória: têm que convencer sua platéia.

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