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Dinâmica de Grupo - Aprenda a encarar mais este desafio.
Fonte: Folha dirigida - Empregos e Estágios Por: Daniela Duarte

Alguns odeiam, outros são indiferentes ou até acham divertido. Depois de passar por uma rigorosa triagem curricular e testes de conhecimentos gerais e específicos, aqueles que sonham com uma vaga de estágio ou trainee em uma grande empresa se deparam com a tão temida dinâmica de grupo. Mas, por que o medo? O fato é que esta é a ferramenta mais utilizada pelas companhias na hora escolher talentos em meio aos candidatos. Segundo a socióloga pós-graduada em Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional, Eliane Porangaba, a dinâmica é uma metodologia, um campo de pesquisa que analisa e trabalha pequenos grupos. Através dela os responsáveis pela captação de profissionais podem fazer uma avaliação mais precisa do perfil valorizado pela companhia. “Este método é fundamental para a empresa, pois o selecionador tem como identificar as características importantes de acordo com seus interesses”, completa. A gerente de recrutamento e seleção da Unilever, Mônica Pinto, especificou algumas das características mais avaliadas em uma dinâmica. “Procuramos simular situações reais da empresa nas dinâmicas. Com isso analisamos, principalmente, características como liderança, comprometimento com o time e sua influência em relação aos outros membros da equipe”, explica. Apesar disso, elementos como criatividade, comportamento perante desafios, habilidade de lidar com negócios e problemas, relação interpessoal, iniciativa e poder de liderança, também são obeservados durante esta etapa seletiva. Candidatos não sabem agir diante das tarefas impostas Apesar de saber quais características as empresas buscam em um profissional, os candidatos não sabem como agir diante das tarefas impostas em uma dinâmica. Eles se sentem inseguros por não saber se o comportamento deles foi adeqüado ou não. Esse talvez seja o fator responsável por aquela sensação de “não tenho a menor idéia se fui bem ou mal”, que muitos têm ao final da dinâmica. Para a profissional Rita de Cássia, desempregada há quatro meses, que está se dedicando ao aperfeiçoamento de seus conhecimentos na área de recrutamento e seleção, não é só o medo de ser reprovada que conta. “Já participei e já apliquei dinâmicas de grupo. O maior medo não é o de ser reprovado, e sim de lidar com o desconhecido. Os candidatos vão para uma seleção sem saber o que a empresa procura, que tipo de profissional o cargo está exigindo”, enfatiza Rita. Já para a estudante Bárbara Tosta, a dinâmica não é mais tão vista como uma ameaça. “Hoje em dia acho que serve para testar seus limites. É uma experiência pessoal e profissional muito válida”, comenta. A gerente de recrutamento e seleção da Unilever, Mônica Pinto, destaca que o tempo também é um fator importante. “Ganhamos tempo avaliando um grupo de candidatos em prol de fazer uma entrevista com cada um deles. Além disso, em uma dinâmica aplicamos estudos de casos que nos permite ver o comportamento deles perante uma equipe”, explica Mônica Pinto. Participantes têm opiniões divergentes sobre as dinâmicas Dinâmica de grupo não é receita de bolo. As atividades e técnicas utilizadas variam de acordo com o perfil buscado pelas empresas. Algumas fazem brincadeiras com seus candidatos. Outras usam estudos de casos para analisar as características importantes. Existem até empresas que organizam gincanas onde os candidatos realizam tarefas consideradas por eles mesmos um pouco “esquisitas”. A estudante Alessandra Puell, de 21 anos diz já ter participado de algumas dinâmicas onde teve que imitar animais, desenhar sua visão do futuro e até pular de uma ponte imaginária. “Achei estranho, mas foi divertido. Desta forma a empresa conseguiu interagir com o grupo de candidatos que estava sendo analisado”, exemplificou. Mas nem todos pensam assim. Alguns estudantes se sentem constrangidos de realizar algumas atividades impostas pelas equipes de RH, até mesmo por não saber que tipo de características estão sendo analisadas. “Até conseguir meu primeiro estágio participei de várias dinâmicas e sempre odiei. Fico muito nervosa e insegura, querendo fazer tudo certinho, preocupada com cada atitude minha. E o pior é que nunca sei se fui bem ou não”, desabafa Renata Fernandes, formada em Comunicação Social. As opiniões são muito contrárias. Enquanto uns se divertem com as atividades propostas, outros se torturam até mesmo com os estudos de casos. Apesar de alguns gostarem de participar de dinâmica, o nervosismo e o receio são sentimentos que quase todos que participam desse tipo de avaliação experimentam. “Os candidatos tentam adivinhar o que a empresa procura e acabam forçando algum comportamento. Por isso alguns selecionadores aplicam atividades relaxantes no início da avaliação. Os candidatos acabam interagindo e se sentindo mais à vontade com a situação. Quanto ao medo, todos se sentem inseguros ao lidar com o novo”, complementa a gerente da Unilever. Por isso é importante manter a espontaneidade e não tentar imitar ninguém. Outro fator analisado pelos selecionadores é o comportamento. Eles sabem diferenciar os candidatos que estão tensos daqueles que têm o perfil psicológico mais agitado. Algumas dicas podem ajudar a obter sucesso nas dinâmicas Como já foi dito, não existe uma fórmula mágica para obter sucesso nas dinâmicas de grupo, mas o Caderno de Empregos & Estágios elaborou uma lista com algumas dicas que podem ajudar aqueles que desejam conquistar a tão desejada vaga. - Não se preocupe com o paradigma de “quem fala mais e mais alto numa dinâmica é melhor”. Não é o quanto fala um candidato que conta e sim o que ele fala. Uma pessoa introvertida que fala pouco mas tem argumentos interessantes pode ganhar mais pontos do que uma que fala o tempo todo, mas não adiciona nada de novo à discussão. - Aja naturalmente, não finja ser algo que não é, pois você, mais cedo ou mais tarde, vai acabar se entregando. - Participe das atividades propostas, dê tudo de si. As empresas buscam pessoas ativas, com iniciativa. - Tente se informar sobre a empresa em que você está tentando trabalhar, lendo sobre ela ou até mesmo visitando seu site. Assim você vai estar melhor preparado para debater num estudo de caso, por exemplo. - Ouça bastante durante a dinâmica. Sabendo o que já foi dito você poderá agregar valor aos argumentos dos outros. - Preste atenção no seu nível de agressividade. Tente equilibrar competitividade e interação em grupo. - Se você está concorrendo a uma vaga numa empresa formal ou num cargo formal, vista-se de acordo. Fora isso, a maneira como você se veste não é tão importante. - Atenção à sua postura. Evite sentar de maneira muito relaxada e demonstrar sono, pois isso pode dar a entender que você está ausente e que não está interessado em participar das ativdades. Aqueles que não forem aprovados podem procurar as psicólogas responsáveis pelo recrutamento (que podem ser de uma consultoria ou da própria empresa contratante) e perguntar sobre a sua performance. Algumas delas delas explicam em que situações a sua participação deixou a desejar e até dão exemplos de como desenvolver determinadas habilidades e como demonstrá-las.

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