 |
Jogos de negócios, um teste para a vida real
Fonte: O Globo - Fabiana Ribeiro
Erra quem pensa que é só no mercado de trabalho que os profissionais colocam em prática os conhecimentos adquiridos no MBA. Já em sala de aula boa parte dos cursos — em geral, os de gestão de empresas, marketing e finanças — inclui a disciplina chamada jogos de negócios (ou alguns nomes variantes). Seu objetivo é testar tudo o que se aprendeu até então: dos planos de negócios às estratégias de expansão de uma empresa.
Chance que alunos têm para descobrir seus pontos fracos
A disciplina simula situações que são encontradas nas companhias. Cabe ao professor apresentar aos alunos os modelos de empresa fictícia (indústria de alimentos, confecção ou fabricante de bicicleta, por exemplo) e os cenários adversos (cotação do dólar, problemas com funcionário ou políticas do governo).
— Os alunos agem como integrantes de um comitê diretor de uma firma criada para o jogo e são responsáveis pelas tomadas de decisões. Ou seja, têm que tentar fazer escolhas certas — explica o professor Rogério Guerra, do Ibmec Business School.
Segundo Guerra, existem vários tipos de jogos, sendo que o aluno do MBA participa, em média, de três. São jogos de mercado de capitais, estratégicos ou de gestão de pessoas, que podem ser feitos em sala de aula ou virtualmente:
— Cada exercício é feito para um tipo de tema a ser pensado, com base numa decisão que precisa ser tomada. Assim, os alunos experimentam decidir sobre planejamento estratégico, investimento em tecnologia, financiamento em banco ou importação.
O que se nota, diz o professor Istvan Karoly Kasznar, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é que fica evidente a importância da interação entre as áreas e de o gestor saber o que se passa em cada um dos departamentos da firma:
— Além disso, essa disciplina valoriza o empreendedorismo empresarial, item de sobrevivência no mercado.
Istvan acrescenta que os jogos ressaltam pontos fortes e fracos de cada participante:
— Durante as aulas, os profissionais identificam o que precisam melhorar. Se a contabilidade, se o trato com funcionários ou a avaliação de riscos, por exemplo.
Nem tudo é apenas decisão. Os empresários de mentirinha precisam apresentar relatórios, planilhas, fazer balancetes etc etc. Exatamente como manda o figurino.
— A vantagem é que o aluno pode errar, sem causar prejuízos à empresa ou ao emprego. E muito menos à sua nota — diz o professor César Gonçalves, do Instituto Coppead.
As avaliações, acrescenta Gonçalves, não se baseiam apenas no desempenho da companhia — afinal, as empresas podem fechar as portas, não apresentar lucros ou registrar prejuízos. A nota fica por conta dos relatórios apresentados e da participação da turma.
A seguir, alguns dos jogos mais usados nas salas de aula:
GERAL: No jogo geral de negócios, os participantes se envolvem em todas as áreas da empresa. Do marketing à produção, passando por temas estratégicos e operacionais.
ESTRATÉGICO: É o jogo em que os alunos simulam tomadas de decisões estratégicas. Discutem sobre associações, fusões, vendas, expansão e mercados. Não há espaço para questões operacionais.
MERCADO FINANCEIRO: Os alunos agem como se estivessem no mercado financeiro e ganham experiência em gerenciar riscos inerentes a ele.
GESTÃO DE PESSOAS: Discutidas políticas de RH, são estudadas práticas de contratação, demissão, treinamento e perfil dos profissionais.
LIDERANÇA: O jogo procura ressaltar a importância de trabalhos em equipe, integração de áreas e lideranças.
MARKETING: São debatidos conceitos de preço, produto, concorrência e consumidor.
|
 |
|